Lógica em construção

Laboratório de
Árvores Lógicas

Uma calculadora de árvores para sistemas clássicos e não clássicos. Todos os perfis publicados possuem motor próprio, sem substituir regras não clássicas por regras da lógica clássica.

41motores lógicos5 famílias · cálculo integral
CLÁSSICASISTEMAS KGPARACONSISTENTESMULTIVALORADASMODAIS E MULTIMODAIS

Origem e ideia geral

Uma prova que se abre
como uma árvore.

O método de tableaux transforma uma pergunta lógica em uma investigação de possibilidades. Em vez de encadear axiomas até chegar à conclusão, ele supõe uma situação inicial — por exemplo, que a fórmula a testar é falsa — e decompõe suas condições semânticas.

Cada bifurcação representa alternativas possíveis; cada ramo reúne condições que precisam valer simultaneamente. Uma incompatibilidade fecha o ramo. Um ramo completo e aberto descreve, quando o cálculo permite, um modelo ou contramodelo.

01Decompor

Trocar uma fórmula complexa por condições semanticamente mais simples.

T(A∧B) ⟹ TA, TB
02Ramificar

Separar alternativas que não precisam ocorrer no mesmo caso possível.

T(A∨B) ⟹ TA │ TB
03Fechar ou modelar

Fechar incompatibilidades; ler um ramo aberto como estrutura possível.

TA, FA ⟹ ⊗

Evert W. Beth

Apresenta o método de tableaux semânticos em Semantic Entailment and Formal Derivability, ligando consequência semântica e derivabilidade formal.

Desenvolvimentos paralelos

Trabalhos de Jaakko Hintikka e Stig Kanger exploram conjuntos de modelos e procedimentos arbóreos próximos, ampliando a nova tradição semântica.

Raymond M. Smullyan

Sistematiza os tableaux analíticos em uma notação uniforme e os torna um método central para lógica proposicional e de primeira ordem.

Por que o método importa? Ele aproxima prova e semântica, preserva a estrutura interna das fórmulas, torna visíveis os pontos de ramificação e permite extrair contramodelos. Por isso foi adaptado a lógicas modais, multivaloradas, paraconsistentes, livres e muitas outras.

Referências históricas: Beth, 1955 ↗ · Smullyan, 1968 ↗

Como usar

Da fórmula ao tableau,
sem trocar de interface.

Escolha abaixo um sistema lógico. O botão altera imediatamente o perfil, a linguagem aceita, o exemplo, as regras do motor e o estudo apresentado depois da calculadora.

O laboratório distingue validade de satisfatibilidade e nunca converte silenciosamente uma lógica não clássica em CPL. Quando uma busca potencialmente infinita atingir o limite operacional, o resultado será marcado como inconclusivo, e não como prova ou refutação.

  1. Escolha o sistemaUse um atalho abaixo ou os seletores da calculadora.
  2. Defina a tarefaValidade parte de F(A); satisfatibilidade parte de T(A).
  3. Digite a fórmulaUse o teclado lógico ou as formas ASCII indicadas junto ao campo.
  4. Construa a árvoreA expansão começa automaticamente e pode ser pausada ou percorrida passo a passo.
  5. Leia o resultadoFechamento, ramo aberto, contramodelo ou limite são informados sem ambiguidade.

Sistemas em funcionamento

Selecione qualquer perfil para levá-lo diretamente à calculadora.

Clássicas e quantificacionais

Sistemas KG

Multivaloradas e paraconsistentes

Modais normais

Multimodais e epistêmicas

Laboratório de sistemas

Construtor de árvores

Os perfis marcados como motor implementado executam regras próprias. Os demais permanecem como guias documentais até que seu cálculo específico seja formalmente validado.

CPLProposicional · bivalente
Tableau semântico assinadoMotor implementado

Também são aceitos ->, <->, &, | e ~.

Construção visual

Árvore

Passo 1 de 72 fechados · 0 abertos · 0 limitados
1(p → q) ∧ p → qFinicial

Arquitetura formal

CPL: axiomas e regras

O quadro distingue a apresentação axiomática ou algébrica do sistema, à esquerda, do procedimento de tableau realmente executado pela calculadora, à direita.

Sistema axiomático

Cálculo de Hilbert em {¬,→}

A base à esquerda situa o sistema; o motor usa o tableau assinado equivalente.

  1. A1A → (B → A)Introdução do antecedente.
  2. A2[A → (B → C)] → [(A → B) → (A → C)]Distribuição implicativa.
  3. A3(¬B → ¬A) → (A → B)Esquema clássico de contraposição.
  4. MPA, A → B / BModus ponens; ∧, ∨ e ↔ podem ser definidos.

O motor não encadeia estes axiomas: eles identificam o sistema. A decisão é realizada pelas regras mostradas ao lado.

Regras aplicadas na calculadora

Expansões, restrições e fechamento

Estas são as regras e restrições realmente aplicadas pelo motor selecionado. Passe o cursor ou use o foco do teclado para abrir cada regra.

T/F¬

Negação

Regra do motor
T¬A / F¬A
FA / TA

A negação troca o sinal da fórmula interna.

T∧

Conjunção verdadeira

Regra do motor
T(A ∧ B)
TATB

Os dois conjuntivos permanecem no mesmo ramo.

F∧

Conjunção falsa

Regra do motor
F(A ∧ B)
FAFB

Basta um conjuntivo falso; a árvore se divide.

T∨

Disjunção verdadeira

Regra do motor
T(A ∨ B)
TATB

Cada disjunto fornece uma alternativa de satisfação.

F∨

Disjunção falsa

Regra do motor
F(A ∨ B)
FAFB

Os dois disjuntos são falsos no mesmo ramo.

T→

Condicional verdadeira

Regra do motor
T(A → B)
FATB

A condicional é verdadeira por antecedente falso ou consequente verdadeiro.

F→

Condicional falsa

Regra do motor
F(A → B)
TAFB

Antecedente verdadeiro e consequente falso ficam no mesmo ramo.

T↔

Bicondicional verdadeiro

Regra do motor
T(A ↔ B)
TA, TBFA, FB

Os dois lados recebem sinais iguais em cada alternativa.

F↔

Bicondicional falso

Regra do motor
F(A ↔ B)
TA, FBFA, TB

Os dois lados recebem sinais diferentes em cada alternativa.

Fechamento

Regra do motor
TA FA

Um ramo fecha quando contém sinais opostos da mesma fórmula.

Perfil selecionado

CPL

Lógica proposicional clássica

É o sistema padrão para raciocínio proposicional bivalente. Cada fórmula recebe verdade ou falsidade, e validade significa preservação da verdade em todas as valorações.

Clássicas e quantificacionaisProposicional · bivalenteTableau semântico assinadoMotor disponível

Motor executado

Tableau semântico bivalente assinado. A validade começa com F(A); a satisfatibilidade, com T(A). O ramo fecha somente por sinais opostos da mesma fórmula.

Estudo do sistema

CPL — Lógica Proposicional Clássica

A Lógica Proposicional Clássica (CPL, também referida como Cálculo Proposicional Clássico ou Lógica Bivalente) é o sistema formal que estuda as relações de inferência entre proposições compostas a partir de conectivos veritativo-funcionais — negação, conjunção, disjunção, condicional e bicondicional — aplicados a proposições atômicas cujo valor de verdade é fixado independentemente do conectivo utilizado. É o sistema proposicional de referência: aceita integralmente os princípios da Não-Contradição, do Terceiro Excluído e da Explosão (ex falso quodlibet), e funciona como o "caso zero" a partir do qual quase todas as lógicas não clássicas se definem por comparação — seja por enfraquecimento (intuicionista, paraconsistente, paracompleta, multivalorada), seja por extensão (modal, temporal, de descrição).

A origem da CPL não pode ser atribuída a um único autor: resulta de um processo cumulativo que começa na lógica algébrica de George Boole (Mathematical Analysis of Logic, 1847; An Investigation of the Laws of Thought, 1854), passa pela primeira formalização rigorosa de um cálculo proposicional numa linguagem simbólica plenamente artificial — a Begriffsschrift de Gottlob Frege (1879) — e se consolida na apresentação axiomática de Whitehead e Russell nos Principia Mathematica (1910-1913), cujo cálculo das "proposições elementares" viria a ser isolado e estudado autonomamente. É exatamente esse fragmento que Emil Post trata com rigor semântico em sua tese de doutorado, publicada como "Introduction to a General Theory of Elementary Propositions" (American Journal of Mathematics, 1921): Post introduz as tabelas de verdade como técnica sistemática de decisão e demonstra a completude do cálculo proposicional de Principia. No mesmo ano, Ludwig Wittgenstein chega independentemente ao mesmo dispositivo no Tractatus Logico-Philosophicus, associando-o a uma leitura da proposição como figuração (Bild) dos fatos possíveis.

Convém separar três camadas na história da CPL, que frequentemente se confundem em apresentações apressadas: (i) a construção do sistema sintático-dedutivo — obra coletiva de Boole, Frege, Russell e Whitehead; (ii) a semântica bivalente por tabelas de verdade — devida independentemente a Post e a Wittgenstein, ambos em 1921; e (iii) o método de tableaux semânticos, que surge apenas décadas depois, com Evert Beth ("Semantic entailment and formal derivability", 1955) e, por via distinta — os "conjuntos-modelo" (model sets) —, com Jaakko Hintikka, também em 1955. A apresentação hoje padrão em manuais — fórmulas assinaladas com T/F, regras α não ramificantes e regras β ramificantes — deve-se à sistematização de Raymond Smullyan em First-Order Logic (1968), que unifica e simplifica as propostas de Beth e Hintikka num único cálculo elegante.

O problema que motivou a emergência da CPL como disciplina autônoma foi duplo: de um lado, o projeto logicista de reduzir a aritmética à lógica (Frege, Russell), que exigia um cálculo proposicional explícito e livre de ambiguidade; de outro, a busca por um critério mecânico de validade — o que Hilbert chamaria de Entscheidungsproblem — que a tabela de verdade de Post resolve completamente para o caso proposicional, ao demonstrar que a validade de qualquer fórmula é decidível por um procedimento finito e puramente combinatório.

Semanticamente, a CPL assume que toda proposição atômica recebe exatamente um entre dois valores, verdadeiro (V) ou falso (F), e que o valor de qualquer fórmula composta é determinado unicamente pelos valores de suas partes através das cláusulas veritativo-funcionais usuais dos conectivos. Uma valoração v é uma função total das fórmulas atômicas em {V,F}, estendida homomorficamente aos conectivos. Uma fórmula é consequência lógica de um conjunto Γ se toda valoração que torna verdadeiras todas as fórmulas de Γ também torna verdadeira a fórmula em questão — não há espaço para valorações parciais, múltiplos valores ou mundos possíveis alternativos.

O método de tableaux para a CPL trabalha com fórmulas assinaladas: TA significa "supõe-se A verdadeira", FA significa "supõe-se A falsa". A partir do conjunto de fórmulas que se quer testar, aplicam-se regras de expansão que decompõem cada fórmula assinalada em fórmulas assinaladas mais simples. As regras α — como T(A∧B), que gera TA e TB na mesma linha sem ramificar — preservam um único ramo; as regras β — como T(A∨B), que gera dois ramos, um com TA e outro com TB — multiplicam os ramos, representando uma disjunção de possibilidades semânticas. Um ramo fecha quando contém simultaneamente TA e FA para alguma fórmula A; um tableau inteiro fecha quando todos os seus ramos fecham. Um ramo está saturado quando todas as regras aplicáveis às suas fórmulas já foram aplicadas; se um ramo saturado permanece aberto, ele fornece diretamente um contramodelo, atribuindo V a toda fórmula atômica assinalada com T e F a toda fórmula atômica assinalada com F nesse ramo. Como não há operadores modais, quantificadores ou construções que gerem cópias indefinidas de uma mesma fórmula, o tableau proposicional clássico sempre termina em número finito de passos: cada regra reduz estritamente a complexidade sintática da fórmula tratada, dispensando qualquer mecanismo de bloqueio ou controle de ciclos.

Como exemplo de fórmula válida, considere-se a Lei de Peirce, ((p→q)→p)→p — válida na CPL, mas não na lógica intuicionista, o que a torna um teste clássico de distinção entre os dois sistemas: seu tableau fecha em todos os ramos, mostrando que nenhuma valoração bivalente pode torná-la falsa. Como exemplo de fórmula inválida, considere-se p→(q∧¬q): o tableau que testa sua validade abre um ramo contendo Tp e Fq simultaneamente satisfazíveis sem contradição, fornecendo o contramodelo v(p)=V, v(q)=F, que de fato torna o condicional falso — confirmando que a fórmula não é uma tautologia, embora seja satisfazível sob outras atribuições (por exemplo, v(p)=F).